A PÉ: Em SJC turistar pelo centro é aprender história e o valor da preservação

Grupo caminhou por três horas e ganhou bagagem de bons momentos

Checadas as presenças, colocadas as pulseiras de identificação do grupo, água para quem desejar, literatura sobre o turismo em São José dos Campos.

Além dos turistas locais, alguns de Guaratinguetá, Brasília, São Paulo e a nossa reportagem, de Pindamonhangaba.

Vinte e cinco participantes, ao todo.

O walking tour tem início na Orla do Banhado, no quiosque do COMTUR, onde também acontecem atendimentos ao artesão e informações ao turista.

Neste local já acontece uma primeira aula sobre as diversas fases da história joseense.

Área de preservação, o Banhado é uma espécie de tapete verde imenso, desenrolado por alguns quilômetros quadrados, contendo – ainda – construções dos antigos moradores de lá.

Para entrar uma tábua, destinada ao reparo de alguma das casas locais, há todo um procedimento legal.

“Para aquele lado ficavam os guaianases, indígenas de boa índole”, explica Mônica Fernandes, Guia de Turismo contratada para a condução do passeio e capacitada pesquisadora.

Registros da história têm suas primeiras ocorrências em 1590.

Conhecemos o monumento aos heróis da FEB, tempo para mais alguns cliques do visual proporcionado pelo banhado, atravessamos a avenida e chegamos à praça da Matriz de São José.

O templo é o terceiro, por ordem cronológica, passou por algumas intervenções mas mantém peças sacras originais.

Em seu interior jazem os restos mortais de um possível santo joseense, por conta de sua irreparável fé cristã e desapego.

Ao lado da matriz, uma das tradições interioranas: a barganha, ou breganha.

Ali, bicicletas, relógios, chuveiros usados, ferramentas e um elenco infinito de objetos são negociados ao valor da cotação ajustada entre as partes. A barganha de conversas é indispensável, para atualizar as notícias ou matar saudade.

Cercada por um tapume, a fonte da praça está em fase de restauração e deverá voltar a ser atração permanente.

Para alguns passos a mais, novas explicações e referências visuais importantes, ilustrando o passeio. As tribais na fachada de um prédio; a loja mais antiga da rua.

Mercadão! Daí há motivo de sobra para mais falas de Mônica. Ela nos fala das moças levadas à missa, pelos pais e, depois, para um breve passeio pelo mercadão. “Muitos casamentos aconteceram entre pessoas que se conheceram aqui”, explica.

Os jovens acompanhavam os pais e estes, também no Mercado Municipal, apreciavam algumas talagadas de cachaça entre uma prosa e outra. Para “os meninos”, havia franquia cautelosa para degustarem o “martelinho”.

Durante as paradas, alguns populares “pegam carona” e ouvem as falas da Guia. “Esse é o city tour, muito bom para a gente ficar sabendo mais da cidade”, disse um passante.

O Mercado Municipal de São José dos Campos é muito bom, bem diversificado, cumpre sua finalidade primeira, com ordenamento, limpeza, produtos selecionados e boa receptividade pelos comerciantes.

De extrema simplicidade e orgulhoso de sua coleção, o profissional de fotografia Shiyodi Imoto mantém, em um dos boxes do mercado, uma coleção de câmeras fotográficas e se orgulha de afirmar ter muitas outras em sua residência. É atração permanente seu box.

“Aquela ali, gastava muitas lâmpadas de flash. Era uma foto, uma lâmpada”, comenta Imoto San apontando para um equipamento grande e com lâmpada também muito grande.

Foi um tempo de recordação, pois muitas vezes em nossa atividade de jornalistas, contamos com a atenção do Sr. Imoto para a revelação de nossas fotos.

Farinha de milho, daquelas de botar na caneca e saborear com café, com o inconfundível hábito mineiro! No mercado de São José dos campos tem farinha para escolher. O box Dona Linda existe desde 1916, e é outro ponto de destaque.

Vale a pena dar uma espiada num box de artesanato em madeira, bambu e palha...

O Museu de Arte Sacra de São José dos Campos, contido na Capela de Nossa Senhora Aparecida, é outro momento de apreciação. A arte religiosa retratada em todo o imaginário exposto, paramentos, painéis, utensílios. Até o final de fevereiro estará aberta para visitação a exposição de trabalhos feitos por pintores desprovidos das mãos. Arte natalina pintada com pés e boca.

A capela foi totalmente restaurada e um de seus pontos interessantes, além do conteúdo do acervo, é a cúpula, decorada com azulejos portugueses originais.

Na lateral do Museu, um equipamento montado para a realização, semanal, do projeto Mercadão Vivo, sempre com artistas da cultura popular local.

Aliás, a cultura popular tem marcante destaque na cidade, pois em diversos locais há grupos de artistas se apresentando, promovendo interação de lazer e tradições com a população.

Excelente sinalização viária ordena o trânsito de pedestres e veículos pelo centro joseense.

Comprovando sua titularidade como 1ª Cidade Inteligente do Brasil, o município conta, na gestão de trânsito, com sistema inteligente de informar, em painéis sempre atualizados, o total de vagas de estacionamento disponíveis em cada via próxima.

Em fase de restauração, a Biblioteca Pública Cassiano Ricardo tem referências históricas interessantes, as quais são dissertadas com muita autoridade por Mônica Fernandes.

Mais história, mas conhecimento e mais atrativos são compartilhados na parada feita na Praça Cônego Lima, na qual também pudemos apreciar apresentações culturais com os Homens de Palha (músicos palhaços), malabaristas e – num outro canto – a indispensável roda para o Jogo da Capoeira.

Integrante do Circuito Cultural Central, o prédio da Câmara Municipal data de 1926, também em fase de restauração, passará a abrigar o acervo do Museu Municipal de São José dos Campos. Ali foi cenário para a "foto oficial" do grupo

O ponto final desse agradável e instrutivo passeio pelo chão joseense é a Igreja de São Benedito. Ali, alguns mistérios parecem compor a história do local, construído ainda em tempos da presença de diversas tribos indígenas, algumas nem tanto amistosas.

Mais um patrimônio bem preservado e merecedor da visitação, mesmo em sendo apenas externamente, por enquanto. Até a imagem do santo tem características especiais.

Roda de despedidas, final do walking tour (ou city tour, como queiram), tempo de um passeio pelo movimentadíssimo comércio do centro.

O visitante encontra de tudo, em diversas lojas: confecções, calçados, brinquedos, óticas, presentes, perfumaria, bolsas e acessórios, tabacaria, decoração, alimentação.

Nossa parada para o almoço aconteceu no Shopping Centro e o “Rei do Fogão” não nos decepcionou no tocante a atendimento e qualidade. Favor anotar essa referência.

Durante o caminhar turístico por São José dos Campos, a paisagem da arquitetura mantém muito das linhas do começo do século passado, aparentemente convivendo pacificamente com o traçado mais moderno. Tempo de nos depararmos com um “baita predião” todo revestido por interessante obra de grafiteiro, cuja possível assinatura está no imenso painel: “@MR.FREDD”.

Aqui nós só apresentamos um resumo de nossa experiência, pois vale muito, muito mesmo, vivenciar esse momento de passear pelas ruas, edifícios e histórias de uma cidade.

Se, por acaso, você perceber – numa das esquinas do centro de SJC – um tocador de violão, violino, gaita ou outro instrumento entenderá mais uma das maneiras de apreciar a cidade: o trabalho artístico para tentar suprir alguma precisão. Sempre haverá um chapéu, uma caixa, um boné ou, mesmo, uma caneca esperando algum tipo de cachê...

Quer aproveitar um final de semana diferente, com baixo investimento e precioso ganho?

Acompanhe a agenda de passeios da Secretaria de Turismo de São José dos Campos. A cada semana, um roteiro diferente e repleto de conhecimentos novos para todos.

Reservas por e-mail: turismo@sjc.gov.br ou pelo telefone 156. Apenas verifique a programação no site ou redes sociais.

Mônica Fernandes é Guia de Turismo habilitada e certificada pelo Cadastur e foi acompanhada, nesse roteiro, pela Guia de Turismo Vanda Praxedes, da agência Caminhos & Roteiros, em treinamento de roteiro.

Texto: Marcos Ivan de Carvalho, ME91207/SP, jornalista especializado em Turismo

Fotos: Edna Maischberger, fotojornalista Me92677/SP

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