EDITORIAL: A sinceridade do Pipoqueiro

(Ou: quando a informação não está acessível aos munícipes, qual é o valor dado ao turista?)

Aquele lance de jornalista independente, especializado em turismo, perguntar (vocação de todo profissional independente ou não) coisas da cidade para pessoas da cidade. Aconteceu, novamente.

Numa sexta-feira, recentemente ida para uma página do passado, pedi licença ao profissional da gastronomia popular produtor de alimento originado do aquecimento em óleo de soja, normalmente, dos grãos de cereal comestível da família das gramíneas.  O Pipoqueiro com ponto na Rua Deputado Claro César, em Pindamonhangaba.

Atento à minha primeira abordagem, o moço, bastante solícito, postou-se disponível.

- Por favor, pode me informar onde fica o Posto de Informações ao Turista?

- Pior que não. Não tenho a mínima ideia e nem sei se existe por aqui.

Agradeci e continuei minha caminhada.

Lamentavelmente fica comprovada, mais uma vez, como a comunicação institucional, para o segmento de Turismo Receptivo, é extremamente falha, para não dizermos inexistente.

Em outro momento, ainda no mês de fevereiro, numa das muitas cafeterias da cidade, elogiamos a qualidade dos grãos, soubemos de suas origens (Minas Gerais), apreciamos um spresso curto e um espetacular cappuccino gelado, acompanhado de pães de queijo.

O pessoal é bem treinado para bem atender ao cliente da cafeteria. Mas não sabe dizer onde fica o Posto de Informações ao Turista e nem conhece o que seja COMTUR.

Para não estendermos muito o assunto: falta melhor uso dos recursos técnicos e financeiros do município de Pindamonhangaba para se consolidar, definitivamente, a possibilidade de turistas serem bem atendidos nos diversos segmentos de serviços e produtos da cidade.

Como já referimos, em tempos idos, a informação não pode ficar somente com o frentista daquele posto de combustíveis como nome de grito da Independência. É urgente acontecer muito mais.

Os resultados da excelência em bem atender aos turistas começa em bem informar e orientar aos moradores de um município. Pindamonhangaba, em termos de gestão, ainda merece ficar de castigo, para aprender a produzir informações capazes de conquistar simpatia e melhor, em todos os patamares, o atendimento aos moradores. Se isso acontecer, o turista saberá entender e multiplicar as referências positivas da cidade enquanto desejado destino final de quem investe seu dinheiro particular para ter hospedagem, gastronomia, atrativos naturais e atrações formatadas com real peso de tornarem a cidade um verdadeiro município turístico.

Sem contarmos a necessidade urgente de ações de Zeladoria e Manutenção realmente focadas na melhor qualidade de vida de todos quantos vivem ou estejam na cidade.

Acreditem: o Pipoqueiro também pode ser um frentista na divulgação do Turismo Receptivo. Ele só precisa de treinamento e respeito. Simples e tão somente assim.

Assino:

Marcos Ivan de Carvalho, jornalista independente, especializado em turismo, membro do Conselho Deliberativo da AMITur (Associação Brasileira dos Municípios de Interesse Cultural e Turístico; Gestor de Turismo pelo IFRJ; Publicitário; filiado à ABRAJET-SP (Associação Brasileira dos Municípios de Interesse Cultural e Turístico); escritor.

 

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