LUTO ANTECIPADO OU ESPERANÇA RENOVADA?

LUTO ANTECIPADO OU ESPERANÇA RENOVADA?

 

A Saúde de Pindamonhangaba fica no corredor de espera por mais 95 dias.

Como se fosse um impaciente paciente à espera de um leito de UTI.

Após a Audiência Pública da Saúde, focada na terceirização do Laboratório de Análises Clínicas, cuja gestão e formatação é merecedora de aplausos pelos mais de 20 anos de bons serviços, todos com qualidade comprovada e servindo de referência regional, só podemos entender assim: ou antecipamos nosso tempo de recolhmento, pelas vidas possíveis de não terem o ideal atendimento, ou, no outro extremo, tentamos uma RCP (Reanimação Cárdiorrespiratória) para manter nossa esperança pulsando...

Da Audiência Pública resultou isso: a definição do prazo de 95 dias para serem levadas, a nova AP, os resultados e providências para melhor qualidade no atendimento à Saúde do povo.

O Laboratório de Análises, até hoje campeão em qualidade e modelo de referência, vai para terceiros, mesmo mantendo a equipe de profissionais técnicos. A alegação da gestora da pasta da Saúde é redução de custos. Redução essa viável, segundo a competende doutora Shirley Abreu, responsável atual pelos serviços. Basta serem definidos, pelos seus superiores hierárquicos, o necessário para reduzir custos sem perda de qualidade. Por essa explicação é possível entender a não necessária tercerização. Basta alguém ser responsável pela formatação menor dos custos e justificá-los com a mesma qualidade de agora.

Doutora Shirley demonstrou sua indignação quanto à perda de um estoque de segurança para a prestação dos serviços. Para atender a média de 100 mil resultados por mês, ela tinha uma reserva para 3 meses de trabalho. Mudou a gestão, os avisos foram dados, os prazos expirados, contratos não renovados. Ela muito lamentou tudo isso. A demora na realização dos exames também implica em procedimentos cirúrgicos perdidos ou adiados. Hoje são, pelo menos, 100 mil exames parados, praticamente perdidos.

Um absurdo, já que a população não tem atendimento adequado por falta de providências por parte da nova gestão.

Com a demora na solução dos problemas administrativos, quem se dana todo é o povo. Configura-se pouco caso, omissão, busca incessante por uma saída não prática. Ou será que a terceirização comprovaria incompetência latente por mais de 20 anos e ninguém, até hoje, percebeu essa incompetência. Improvável, pois o trabalho era, como já dissemos, exemplo de qualidade, respeito ao público e referência na Região.

Experiente e responsável, Shirley se posta técnica em defesa dos interesses da Saúde e obediente à hierarquia da Gestão Municipal. Por isso, a responsabilidade pela mudança fica explícita e definida para os gestores superiores, apesar de a profissional não perder o foco na necessidade de os serviços serem prestados com qualidade e técnica cmprovada.

O vereador Rafael Goffi levantou a questão da falta de documentos capazes de certificar a condição financeira da ABBC, atual gestora do Pronto Socorro. Segundo ele, em não cumprindo obrigações fiscais, como a OS poderia estar recebendo pagamentos dos cofres municipais de Pindamonhangaba? O poder Executivo não estaria atento a isso? Aguardando A CND – Certidão Negativa de Débito ser apresentada pela ABBC e mantendo o contrato vigente. Seria legal ou sugere ato de improbidade administrativa? Prazos podem ser empurrados com a barriga?

Pelo simples fato de o paciente Pindamonhangaba precisar ficar por 95 dias à espera de um tratamento mais digno é que podemos afirmar que pouco avançou, em resultados, a Audiência Pública.

Excessiva tranquilidade na fala da secretária de Saúde e de Frei Bento, em suas intervenções.

Pensemos juntos:

As coisas não caminham bem, a entrada “emergencial” da ABBC como gestora do Pronto Socorro, a necessidade dessa mesma OS ter um laboratório e a já praticamente consumada terceirização do Laboratório de Análises nos induzem ao segunte raciocínio:

. O PS (da ABBC) precisa de um laboratório. O inicialmente improvisado, foi interditado pela Vigilância Sanitária;

. A ABBC tem um laboratório que já lhe prestou serviços em outras localidades (o Meta Laboratório);

. Sem contarmos o CedLab, contratado emergencialmente;

. A Santa Casa tem um laboratório e, caso este se retire, abrirá espaço para outro, necessariamente. Destaque-se que, por ocasião de Audiência Pública anterior ouvimos, de fontes fidedignas ligadas à Santa Casa, não haver nenhuma negociação consolidada para que o mesmo Meta se instalasse nas dependências da Santa Casa, apesar das afirmações de Frei sobre já estarem em andamento as negociações para tal;

. Seria esse Meta o vencedor da terceirização pela Prefeitura? Afinal ele já teria referencia de preços dos outros dois (Cedlab e o que atende, ainda, a Santa Casa). Com isso, poderia formatar uma planilha mais favorável à sua participação no certame licitatório para a terceirização.

, Da mesma forma que, em já estando como gestora do Pronto Socorro, a ABBC leva, pelo menos, um corpo de vantagem junto aos possíveis demais pretendentes à gestão, após os seis meses emergenciais da ABBC, do PS local.

Isael Domingues, durante sua caminhada em campanha, bradava, do topo da carroçaria do caminhão palanque, buscar soluções imediatas para a Saúde de Pinda.

Acenava com o funcionamento das UPAs, melhorias para os postinhos de Saúde, mais equipes de trabalho e tantos outros recursos.

Não compareceu à Audiência Pública.

Seus secretários, de Saúde e de Gabinete, disseram da necessidade de economia, não possibilidade de construção de mais prédios para abrigar atendimentos à Saúde, etc.

Ao não comparecer, Domingues demonstrou não estar tão afeto à demanda de soluções, pois em sendo profissional da área, no mínimo precisaria, sim, estar presente. Afinal, a cobrança é direta e compatível ao cargo. A não ser uma possível “autoblindagem” para evitar cobranças diretamente à sua pessoa. Instinto de preservação não adequado a quem se dispõe ouvir o povo e estar ao lado deste mesmo povo.

Transporte de pacientes, com direito a esquecimento de pessoas em SP; falta de comunicação adequada para evitar esse constrangimento; SAMUP, um SAMU com aparente autogestão; distribuição de medicamentos morosa ou não realizada pela falta dos mesmos; leitos de UTI; ampliação do quadro de profissionais. Estes foram itens discutidos e sem nenhuma solução imediata ou satisfatória.

Perdendo o pulso... Pinda está assim, esvaindo-se em promessas e poucas realizações na Saúde.

Apesar da ausência de alguns vereadores, os que estiveram por lá demonstraram sua não aprovação à tercerização do Laboratório de Análises, infelizmente já consagrada com a abertura do tal certame licitatório. Da mesma forma se manifestou o COMUS.

Daí nos volta à mente a pergunta que não quer calar: por que tantos “invasores” na adminstração municipal? Pinda não tem, realmente, pessoal competente? Se não tem, para que trazer incompetentes de fora? Ou a competência se mede apenas pelos favores políticos?

Parece que uma parte do clero político desembarcou em Pinda para iniciar campanha pelas eleições de 2018, em vez de orar e fazer pela impaciente paciente Saúde da cidade.

Que pecado! Enganar o povo com promessas, subestimar sua inteligência e querer sair com vantagens é atitude absurdamente idiota.

Falam em conter gastos. Poderiam começar com a solicitação de redução de ganhos comissionados. Já seria um exemplo.

O vice-prefeito, Ricardo Piorino, quietinho em seu quadrado, parece apreciar uma nem tão remota oportunidade de tomar assento no principal gabinete do Executivo local... Anda sumidinho.

Chegarão respostas concretas e realizações idem, após 95 dias de espera?

Ou teríamos o golpe de misericórdia, em vez da efetiva alta hospitalar de nossa Saúde?

É a Minha Opinião.

Marcos Ivan de Carvalho

Jornalista Independente, Mtb 36001

 

 

 

 

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